SUCESSO NAS ESCOLAS PÚBLICAS
Recentemente foi realizada uma pesquisa[1] que pretendia conhecer as boas práticas em escolas públicas que determinavam uma boa produção dos seus alunos na Prova Brasil, aplicada pelo MEC no país inteiro.
Escolheram, das 50 mil escolas onde esta prova foi aplicada, uma amostra de 33 escolas que obedeciam às seguintes condições:
- - eram escolas de ensino fundamental, com pelo menos 30 alunos de 1ª a 4ª série ou 5ª a 8ª série ou ambas;
- - eram todas escolas cuja nota média dos alunos era maior que a média nacional, encontrando-se entre as 5% com melhor desempenho;
- - atendiam alunos provenientes de comunidades de baixa renda, com pouca escolaridade, em situação de vulnerabilidade;
- - distribuíam-se pelas cinco regiões do Brasil, sendo localizadas em zona urbana ou rural de 32 municípios de 15 diferentes estados da federação.
A Associação Educacional Labor considera oportuna e inteligente a idéia de pesquisar as escolas bem sucedidas, superando a tradicional postura de lamentar o que vai mal, culpabilizando uns e outros pelo desastre e repetindo hipóteses que são fruto mais de preconceito do que de conhecimento real.
Encontrar escolas que conseguem sucesso e alunos que aprendem bem, mesmo em situações adversas, não só desmente os preconceitos, como pode indicar caminhos para encontrar soluções que estão à mão, com instrumentos e propostas accessíveis e característicos da nossa cultura.
As 33 escolas foram visitadas, seus alunos, professores, diretores, funcionários foram entrevistados, assim como pais de alunos e lideranças da comunidade atendida.
Nas entrevistas, em 32 dessas escolas o êxito na prova Brasil foi atribuído aos professores.
Empenho, competência, interesse, dedicação, disposição para criar, inventar atividades e estimular os alunos, busca permanente para se aperfeiçoar, foram as qualidades mais identificadas nesses professores.
Também foram muito lembradas qualidades como calma, paciência, exigência, diálogo, boas relações em todas as esferas da escola, busca de inovações, formas divertidas de ensinar, entre outras.
Evidentemente, as qualidades dos professores não esgotavam as condições que permitiram o sucesso dos alunos daquelas escolas.
Nas 33 escolas os alunos foram apontados como fundamentais para o bom resultado: ali, os alunos eram percebidos de forma positiva, valorizados, mostravam-se interessados, confiantes, valorizando também seus professores.
A equipe escolar bem entrosada, com bom relacionamento, gestão democrática, existência de projeto pedagógico na escola e de projetos de ensino, apareceram como fatores muito importantes, cada escola revelando o seu ponto forte em todas ou pelos menos algumas dessas condições.
Finalmente, a presença das famílias e da comunidade na escola, parcerias da mesma com outros setores, também se revelaram fatores cruciais para o sucesso.
A proposta Labor tem seus alicerces em 3 idéias básicas e simples, no que diz respeito à relação ensino-aprendizagem:
1ª O aluno é um agente fundamental nesta relação e seu interesse em aprender é indispensável para qualquer processo pedagógico.
2ª. O professor é o outro agente fundamental da educação e qualquer trabalho pedagógico só será eficaz se ele estiver plenamente envolvido com o processo, empenhado, seguro e confiante em si.
3ª Qualquer método, qualquer orientação pedagógica, por mais completa e melhor que ela seja, tem limites e inadequações quando aplicada na experiência concreta. O que a torna realmente boa, é o trabalho humano, que corrige, amplia e adapta a metodologia na sua prática diária.
Por isso a Associação Educacional Labor vem, desde que foi fundada, em 1991, defendendo a idéia de que é preciso valorizar, acreditar e apoiar a indispensável aliança entre professores e alunos.
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